Greenleaf (2016–2020) é um drama da OWN, rede de Oprah Winfrey, criado por Craig Wright e disponível na Netflix. Ao longo de cinco temporadas, acompanha os Greenleaf, uma família afro-americana que comanda uma megaigreja em Memphis, no Tennessee. A série mostra como fé, dinheiro, ambição e segredos se misturam atrás do púlpito.
A premissa
A história começa com o retorno de Grace Greenleaf (Merle Dandridge), filha mais velha do Bispo James Greenleaf (Keith David) e de Lady Mae (Lynn Whitfield). Ex-pastora, Grace passou quase vinte anos longe de casa e volta para o funeral da irmã, Faith. O que seria uma visita rápida vira um reencontro com as feridas que a fizeram partir, e ela descobre que a igreja da família esconde abusos, disputas de poder e irregularidades financeiras. A principal revelação da primeira temporada envolve o tio Mac, acusado de abusar de meninas da congregação, inclusive Faith. Esse conflito dá à série um peso moral que vai além do melodrama.
Pontos fortes
O maior trunfo da série é o elenco. Lynn Whitfield rouba praticamente todas as cenas como Lady Mae, uma matriarca elegante, calculista e magoada, capaz de ser ao mesmo tempo cruel e comovente. Keith David dá ao Bispo uma presença imponente, com uma voz que convence tanto no sermão quanto nos momentos de fraqueza. Merle Dandridge sustenta bem a protagonista, uma mulher dividida entre a fé sincera e a desconfiança da instituição que a formou. A própria Oprah Winfrey aparece como Mavis, irmã de Lady Mae e dona de uma boate, e traz um contraponto mundano ao ambiente religioso.
A série também trata a fé com respeito, algo raro na TV. Ela não ridiculariza a religião nem a idealiza. Mostra pessoas que acreditam de verdade e, mesmo assim, erram, mentem e se corrompem. A pergunta central é se é possível separar Deus da instituição que fala em nome Dele. A trilha sonora gospel, com números musicais bem executados, reforça essa identidade.
Os temas também são corajosos para uma produção desse gênero: abuso sexual dentro da igreja, homossexualidade num ambiente conservador (na trama de Kevin, marido de Charity), infidelidade, vícios, racismo e a relação entre igrejas e dinheiro.
Pontos fracos
Como muita novela de prestígio, Greenleaf perde fôlego ao longo das temporadas. Depois do arco forte do tio Mac, os conflitos passam a girar em torno de disputas pelo controle da igreja, com vilões externos e reviravoltas repetitivas. Alguns núcleos secundários, especialmente os dos filhos mais jovens, recebem menos cuidado e às vezes parecem estar ali só para preencher tempo. O tom melodramático, com revelações bombásticas e diálogos solenes, pode cansar quem não gosta do gênero. A quinta temporada, mais curta, fecha as histórias de forma satisfatória, mas um pouco apressada.
Vale a pena?
Sim, principalmente para quem gosta de dramas familiares no estilo Dallas ou Succession, mas com uma camada espiritual e cultural própria. Greenleaf funciona como novela, mas também como reflexão sobre hipocrisia, perdão e a diferença entre ter fé e usar a fé. As duas primeiras temporadas são as melhores, e só a atuação de Lynn Whitfield já justifica a maratona.



